Mensagens alarmantes revelam que um grupo extremista planeja um confronto violento na Universidade de Brasília (UnB) nesta sexta-feira (4/4). O Metrópoles teve acesso a conversas em que membros desse grupo expressam a intenção de agredir estudantes identificados como “comunistas”.
“Nossa intenção não é ‘recuperar’ a UnB, que nem é deles, e sim trocar porrada com os vermes”, diz uma das mensagens, revelando a hostilidade e o tom agressivo do grupo. Wilker Leão, um youtuber, também participa das discussões, incitando a violência e chamando os estudantes de “covardes”. Ele defende uma “resposta contundente” ao que considera ter ocorrido na universidade no início do semestre, indicando um desejo de vingança e intimidação.
Em meio ao planejamento, membros do grupo questionam a legalidade de portar spray de pimenta e armas de eletrochoque, demonstrando uma preocupação com as possíveis consequências de seus atos, mas sem abandonar a ideia de violência.
A escalada da tensão levou a UnB a tomar medidas preventivas. O Instituto de Letras (IL) suspendeu suas atividades administrativas e acadêmicas a partir das 12h30, e o Diretório Acadêmico de Comunicação (Dacom) fechou seu espaço antecipadamente. A universidade informou que a segurança será reforçada, buscando proteger a comunidade acadêmica.
Essas ameaças não são um incidente isolado. Anteriormente, um grupo de extrema-direita já havia invadido o campus Darcy Ribeiro durante o período de férias, vandalizando o Centro Acadêmico de Artes Visuais (Cavis). Eles apagaram desenhos e mensagens dos estudantes, justificando a ação como uma forma de eliminar “símbolos comunistas”. O grupo, identificado como apoiador de Jair Bolsonaro (PL), chegou a pendurar uma bandeira de Israel no campus, prometendo novas ações para combater a “doutrinação comunista”.
Diante desse cenário, a Reitoria da UnB anunciou um conjunto de medidas para garantir a segurança da comunidade universitária e do patrimônio público. O plano inclui o reforço da segurança patrimonial, a melhoria da iluminação externa e a atuação integrada com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Federal (PF). O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também emitiu orientações para a segurança dos estudantes e dos centros acadêmicos.
A PMDF, por sua vez, informou que atuará de forma preventiva no campus Darcy Ribeiro e que foi montado um gabinete de crise com representantes da corporação, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e da Reitoria para monitorar a situação. A universidade busca, assim, conter a ameaça e garantir a integridade de seus membros em face da crescente hostilidade.
