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“The White Lotus”: A ironia fashion da ostentação como crítica social

Em “The White Lotus”, o drama ácido e as situações surreais ganham um reforço de peso: a moda. Longe da discrição elegante do “quiet luxury”, a série da HBO mergulha no “loud luxury”, um luxo escancarado que grita em vez de sussurrar. A figurinista Alex Bovaird, em entrevistas, revelou sua estratégia de usar a ostentação visual para amplificar o tom exagerado da narrativa.

Mais do que looks chamativos, essa inversão da tendência minimalista pós-pandemia carrega mensagens simbólicas sobre o cenário político e econômico dos Estados Unidos, lar da maioria dos hóspedes excêntricos da fictícia rede de hotéis.

O “loud luxury” se manifesta na logomania que ensaia um retorno triunfal, estampas animais vibrantes, cores metalizadas, padronagens exuberantes, silhuetas esculturais, acessórios oversized – uma ode ao exagero que ecoa a extravagância dos anos 80 e o espírito ousado dos anos 2000, como a nova edição da colaboração Louis Vuitton com Takashi Murakami. É uma linha tênue entre personalidade e maximalismo absoluto.

Em contraste, o “quiet luxury” preza por peças de grife discretas, cores neutras, qualidade impecável e exclusividade, cujos códigos de luxo são decifrados apenas por um seleto grupo de iniciados. Essa estética ganhou força com o impacto econômico da pandemia, como uma resposta (ou tentativa de disfarçar) a um período de incertezas.

“The White Lotus” não tem meias palavras. Seus personagens exibem sem pudor peças de grife que custam milhares de dólares, de Chanel a Cartier, Valentino, Loewe e JW Anderson. A figurinista confessou que, se o orçamento permitisse, vestiria a personagem de Leslie Bibb, uma “esposa-troféu” texana, com 20 pulseiras Cartier, somando mais de US$ 147 mil apenas em braceletes.

Kate, a personagem que votou em Donald Trump, exemplifica a atmosfera onde o luxo volta a ser ostentado. Um diálogo marcante da personagem Victoria Ratliff (Parker Posey), sobre evitar desconforto, revela a fragilidade por trás da riqueza, com o marido sob investigação por lavagem de dinheiro. Victoria personifica o estilo “loud”, com vestidos estampados, chapéus extravagantes e uma coleção de ansiolíticos. Já o filho mais velho, ostenta camisas polo e mocassins da Gucci, compensando a sutileza do visual com atitudes tóxicas.

O excesso é a alma de “The White Lotus”, e talvez a chave para seu sucesso. A série espelha um momento onde a ostentação retorna como forma de expressão, ou até mesmo uma declaração política.

Exemplos do “Loud Luxury” fora da série:

Doechii vestindo Gucci em performance.
Dakota Fanning no desfile da Chanel.
Jeremy Strong no Globo de Ouro.
Alicia Keys no Grammy.
Ariana Grande no Oscar.
Modelos nos desfiles de Valentino, Gucci e Saint Laurent.

Em um mundo que oscila entre a discrição e a extravagância, “The White Lotus” usa a moda como espelho, refletindo as contradições e os excessos de uma sociedade em constante transformação.

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