Em um cenário global complexo, a influência de Donald Trump transcende as fronteiras do Brasil e seus debates internos. Enquanto discutimos Lula, anistia a bolsonaristas ou decisões do STF, um drama sombrio se desenrola sob a batuta do ex-presidente americano.
O horror na Ucrânia, com o ataque russo em Sumy no Domingo de Ramos, ceifando vidas inocentes, inclusive crianças, ecoa como um grito de alerta. O subsequente ataque em Dnipro reforça a brutalidade da situação. O G7, liderado pelo Canadá, tentou condenar formalmente o massacre, mas os Estados Unidos se abstiveram, repetindo um padrão de comportamento já visto na ONU.
A reação de Trump ao massacre de Sumy, minimizando-o como um mero “erro” russo, revela uma postura preocupante. Essa declaração veio à tona apenas dois dias após um encontro de cinco horas entre Putin e Steve Witkoff, enviado especial americano a Moscou, para discutir um cessar-fogo.
A Casa Branca justifica essa postura com a necessidade de manter as negociações de paz com a Rússia. Mas qual paz está sendo negociada? Tudo indica que a “paz” de Trump implica na rendição da Ucrânia, com a cessão dos territórios ocupados à Rússia, como insinuado por Witkoff em entrevista à Fox News. Essa negociação, conduzida à revelia da Ucrânia, ecoa os tempos sombrios do imperialismo, onde potências decidiam o destino de nações menores.
A obsessão de Trump em agradar Putin é evidente, excluindo a Europa das negociações. O teatrinho de Marco Rubio não mascara a realidade: Trump escolheu um lado, e não é o da Ucrânia nem o da Europa Ocidental, as próximas na mira de Putin. Ao culpar a Ucrânia pela guerra e negar-lhe mísseis de defesa, Trump reforça o jogo sujo do chantagista Putin e seus acólitos.
A porta-voz russa Maria Zakharova ameaça a Alemanha por fornecer mísseis à Ucrânia, ilustrando a escalada da tensão. O mundo se torna mais perigoso sob a égide de Trump, com sua afeição por ditaduras e aversão a democracias. A recusa infantil de Trump em dialogar com Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, é um exemplo grotesco dessa dinâmica.
Von der Leyen é forçada a usar a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, como intermediária para negociar as tarifas de importação estabelecidas por Trump contra aliados. A situação é anômala e revela uma fratura profunda na ordem global. “O Ocidente, tal como o conhecíamos, já não existe”, lamenta Von der Leyen. Sua morte não se dá por explosão, mas por um escárnio ruidoso vindo de Washington e Moscou. E esse fim não prenuncia um futuro feliz para ninguém.
