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E se Jesus Enxergasse o Mundo Através dos Olhos Delas?

Por que Jesus parecia tão à vontade entre as mulheres? A pergunta, que ecoa através dos séculos, encontra ressonância na obra da teóloga Christine Pedotti, “Jesus, o Homem que Preferia as Mulheres”. Pedotti argumenta que Jesus demonstrava uma familiaridade e paciência notáveis com as mulheres, em contraste com a irritação que frequentemente expressava diante da hipocrisia religiosa dos homens de sua época.

Ela destaca a ausência de qualquer tom depreciativo em relação às mulheres nos Evangelhos, substituído por uma benevolência constante, atenção e até ternura. As mulheres dos Evangelhos desafiam as convenções: falam, questionam, exigem, e Jesus as ouve, conversa, toca, consola e admira.

Longe de condená-las, Jesus as defende, como na emblemática cena da mulher adúltera, e acolhe figuras como Maria Madalena como discípulas. Essa perspectiva me remete a “A Ascensão do Cristianismo”, do sociólogo Rodney Stark, que explora como o cristianismo, em suas origens, ofereceu uma nova perspectiva de vida para as mulheres.

Em um contexto onde o aborto forçado era uma realidade brutal e a instabilidade matrimonial deixava muitas mulheres à mercê do abandono, as leis cristãs que protegiam a vida e promoviam a fidelidade conjugal representaram um avanço significativo. A proibição do aborto, ao contrário de restringir, protegia o direito da mulher de ter filhos por sua própria escolha. A indissolubilidade do casamento, embora vista hoje como restritiva por alguns, oferecia estabilidade e proteção contra o descarte.

Esses fatores foram cruciais para que as mulheres se tornassem as principais propagadoras do cristianismo no Ocidente, um impulso que pavimentou o caminho para sua ascensão como religião oficial do Império Romano sob Constantino.

Será que a predileção de Jesus pela companhia feminina fazia parte de um plano maior, um presságio do papel crucial que elas desempenhariam na disseminação de sua mensagem? E a escolha de mulheres como as primeiras testemunhas da ressurreição, em um contexto onde seu testemunho era desconsiderado, não seria uma declaração poderosa? Como observou o Cardeal Gianfranco Ravasi, no direito semítico, as mulheres não podiam testemunhar. Contudo, foram elas as escolhidas para anunciar a mensagem central do cristianismo, a ressurreição e a promessa da vida eterna, que inspirou bilhões de pessoas ao longo de dois milênios.

Nesta Páscoa, saúdo a todos, mas especialmente às mulheres, com a mesma admiração que, guardadas as devidas proporções, acredito que Jesus nutria.

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