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A Música Silencia: Adeus à Voz Inconfundível de Nana Caymmi

O Rio de Janeiro se despede hoje de uma de suas vozes mais emblemáticas, Nana Caymmi, que faleceu ontem aos 84 anos, deixando um legado musical imensurável. O Theatro Municipal, palco que tantas vezes aplaudiu sua arte, abre suas portas para o velório da cantora, das 8h30 às 12h, um último tributo antes do sepultamento marcado para as 14h no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

A partida de Nana encerra um período de nove meses de internação, inicialmente motivada por ajustes em seu marcapasso. Complicações subsequentes, incluindo um quadro de arritmia que demandou cateterismo e traqueostomia, e um episódio relatado como “overdose de opioides”, segundo O Globo, marcaram seus últimos meses. A confirmação da triste notícia veio através de seu irmão, Danilo Caymmi, pelas redes sociais.

Nascida em abril de 1941, Nana respirou música desde o berço. Filha do mestre Dorival Caymmi e da talentosa cantora Stella Maris, ela trilhou um caminho de sucesso na MPB, honrando o legado familiar e imprimindo sua própria marca.

Sua estreia profissional aconteceu em 1960, com a gravação de “Acalanto” para um LP de seu pai, uma canção de ninar feita sob medida para ela. No mesmo ano, firmou contrato com a TV Tupi, brilhando no programa “Sucessos Musicais” e ao lado de Dori em “A Canção de Nana”.

Em 1963, lançou seu primeiro disco, intitulado simplesmente “Nana”. No ano seguinte, participou do icônico álbum “Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo”, um marco na história da música brasileira.

Sua voz marcante e interpretação única a consagraram como vencedora da fase nacional do 1º Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, com a canção “Saveiros” (Dori Caymmi e Nelson Motta). Em um relato franco no documentário “Noites de Festival”, Nana relembrou as vaias que enfrentou na ocasião, encarando-as como um aprendizado e compreendendo que o alvo não era a artista, ainda desconhecida, mas sim a força de uma nova voz que surgia.

Com mais de 25 álbuns lançados ao longo de sua carreira, como os memoráveis “Renascer” (1976), “Mudança dos Ventos” (1980), “A Noite do Meu Bem” (1994), “Resposta ao Tempo” (1998), “Para Caymmi: de Nana, Dori e Danilo” (2004), “Sem Poupar Coração” (2009) e “Nana, Tom, Vinicius” (2020), Nana Caymmi eternizou seu nome na música brasileira.

Sua excelência artística foi reconhecida com indicações ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, em 2019, com “Nana Caymmi Canta Tito Madi”, e ao prêmio de Álbum do Ano, em 2021, com “Nana, Tom, Vinícius”. A voz de Nana Caymmi se cala, mas sua música, carregada de emoção e talento, ecoará para sempre.

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