Na manhã desta terça-feira (10/6), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade aos interrogatórios dos acusados na ação penal que investiga a suposta conspiração para contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, que teve Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como vencedor. Durante seu depoimento, Anderson Torres, um dos réus, declarou não recordar-se de ter recebido a minuta relacionada ao golpe e, em tom de brincadeira, a chamou de “minuta do Google”.
Torres, que já ocupou o cargo de ministro da Justiça e foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, revelou que somente se lembrou do documento quando este foi “apreendido pela Polícia Federal”. “Na verdade, ministro, não se trata de uma ‘minuta do golpe’; eu costumo dizer que é a ‘minuta do Google’ […] Eu levava duas pastas para casa, uma com a agenda do dia seguinte, minutas de discursos e outras coisas, e a outra com documentos variados que recebia do Ministério”, explicou ao ministro Alexandre de Moraes.
Ele acrescentou que estava enfrentando dificuldades em seu trabalho devido ao grande volume de “minutas, ideias e uma série de documentos que recebia pelo WhatsApp e em papel”. Torres também mencionou que o documento deveria ter sido “destruído” há muito tempo e que continha vários erros de português.
Na sessão anterior, realizada na segunda-feira (9/6), foram ouvidos o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que atualmente é deputado federal. Os réus foram organizados em grupos conforme suas respectivas funções.
A sessão desta terça começou às 9h, com o depoimento do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, que negou ter tido acesso à minuta relacionada ao golpe.
