Após amargar o vice-campeonato, o Cruzeiro volta à Copa Sul-Americana com sede de redenção e uma postura renovada. A promessa audaciosa de Pedrinho, mandatário da SAF celeste, de conquistar um dos dois títulos almejados na temporada, ecoa nos corações da torcida, que sonha em ver a Raposa alçar voos mais altos no cenário continental. A vaga, conquistada com a nona colocação no Brasileirão, acende a esperança de um título inédito em sua oitava participação na competição.
A missão de conduzir o Cruzeiro a essa conquista histórica recai sobre os ombros do técnico Leonardo Jardim. O desafio é grande: moldar um time competitivo, capaz de conciliar a Sul-Americana com a exigente agenda da Copa do Brasil e do Brasileirão. Terá Jardim a capacidade de orquestrar este elenco talentoso e transformá-lo em uma força coesa?
O Cruzeiro inicia sua jornada no Grupo E, enfrentando o chileno Palestino, o argentino Unión Santa Fe e o pouco conhecido Mushuc Runa, do Equador. A estreia, nesta terça-feira (1º/04), será um teste de fogo contra o Unión, na Argentina. Qual será o limite da ambição cruzeirense nesta edição?
A expectativa é alta: o Cruzeiro tem potencial para dominar o Grupo E e somar 18 pontos. A chave para o sucesso reside na capacidade de Leonardo Jardim de aproveitar o período de preparação após a eliminação no Campeonato Mineiro para implementar um padrão de jogo consistente. O início de temporada, marcado por resultados frustrantes, deixou a torcida apreensiva.
A chegada de reforços de peso como Gabigol, Dudu e Fabrício Bruno inflamou o otimismo da torcida, mas a instabilidade no comando técnico durante o Estadual (com três treinadores diferentes) e o futebol aquém do esperado esfriaram os ânimos. A qualidade individual está presente, mas falta a Leonardo Jardim transformar esse potencial em um coletivo competitivo. Se o técnico conseguir essa alquimia, o Cruzeiro terá chances reais de chegar à final da Sul-Americana.
Leonardo Jardim, ciente da responsabilidade, traça o objetivo principal: “Queremos a classificação (para a segunda fase), com certeza. (Ser) Campeões? Dentro de campo é que temos que provar se queremos e podemos sermos campeões”.
Apesar de jogar na Argentina, o Cruzeiro entra em campo como favorito, confiante em seus jogadores experientes e na busca pelos primeiros três pontos. O Unión Santa Fe, time mais antigo do grupo (fundado em 1907), carece de títulos nacionais e experiência em competições internacionais, disputando apenas sua quarta Sul-Americana. Vale lembrar que o Unión já eliminou o Atlético, maior rival do Cruzeiro, em 2020. O reencontro entre Cruzeiro e Unión está marcado para 29 de maio, no Mineirão.
O segundo desafio do Cruzeiro será contra o Mushuc Runa, em 9 de abril, no Mineirão de portões fechados, devido a uma punição imposta pela Conmebol. Mesmo sem o apoio da torcida, o favoritismo celeste permanece. O jogo de volta contra os equatorianos será em Guayaquil, em 7 de maio.
Encerrando a primeira fase, o Cruzeiro visita o Palestino, no Chile, em 24 de abril. O time chileno, com histórico recente em competições internacionais e vitórias sobre equipes brasileiras (inclusive eliminando o Cuiabá na última Sul-Americana e o Flamengo em 2016), representa o maior desafio do Cruzeiro no grupo. O reencontro com o Palestino será no Mineirão, em 14 de maio.
O regulamento da Sul-Americana exige que o Cruzeiro termine em primeiro lugar no grupo para avançar diretamente às oitavas de final. Os segundos colocados disputarão os playoffs contra os terceiros da Libertadores. Em caso de classificação em primeiro lugar, o Cruzeiro enfrentará adversários que avançaram em segundo na Sul-Americana ou foram eliminados da Libertadores. Entre os possíveis rivais brasileiros, além do Cruzeiro, estão Fluminense, Atlético, Grêmio, Vasco, Vitória e Corinthians. Da Libertadores, podem vir Botafogo, River Plate, Estudiantes, Flamengo, São Paulo, Racing, Colo Colo, Fortaleza, Internacional, Bahia, Nacional (URU), Palmeiras, Cerro Porteño, Peñarol e Vélez Sarsfield.
O Racing, campeão da última edição, serve de inspiração para o Cruzeiro. A última conquista brasileira foi em 2021, com o Athletico-PR. A final, em jogo único, será em 22 de novembro, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. O Cruzeiro está pronto para reescrever sua história na Sul-Americana e buscar o título que coroe a promessa de uma temporada de glórias.
