A popularidade de Lula, outrora um trunfo, parece agora um fardo. A cada aparição pública, a cada promessa não cumprida, o presidente se distancia daquele líder carismático que acenava com a esperança. É como um produto mal divulgado: a propaganda excessiva só expõe suas falhas, tornando o descompasso entre o discurso e a realidade ainda mais gritante.
A recente pesquisa Genial/Quaest escancara essa deterioração. Metade dos entrevistados admite que a exposição de Lula piora sua percepção sobre ele. A aprovação do governo despenca, atingindo alarmantes 56%, um salto considerável em poucos meses. Nem mesmo o eleitorado tradicionalmente fiel, como os mais pobres e os nordestinos, mantém o mesmo entusiasmo. A aprovação entre aqueles que ganham até dois salários mínimos desabou, e as mulheres, outrora um baluarte de apoio, agora engrossam o coro dos insatisfeitos. Entre os jovens, a rejeição é ainda mais contundente.
O golpe mais duro para Lula, no entanto, é a constatação de que 43% dos brasileiros consideram seu governo pior do que o de Jair Bolsonaro. Uma comparação impensável há algum tempo, que demonstra o tamanho do descrédito.
Lula, como todo populista de esquerda, insiste na dicotomia entre o povo e o mercado. Mas o povo, assim como o mercado, parece desaprovar a condução do país. Uma maioria expressiva acredita que o Brasil segue na direção errada. As intenções de Lula são questionadas, suas promessas de campanha, desmentidas pela realidade.
O eleitor não vê em Lula a solução para os problemas do dia a dia: a inflação no supermercado, o preço da gasolina. Manobras assistencialistas e malabarismos estatísticos já não convencem. A maioria esmagadora dos brasileiros anseia por uma guinada no governo, por uma abordagem diferente.
Mas Lula parece preso à sua própria receita. A sua imagem, antes um ativo valioso, se transformou em um passivo. A ponto de, para muitos, a sombra de Bolsonaro parecer menos ameaçadora. Em 2026, Lula estará mais velho e, aparentemente, com as mesmas ideias desgastadas.
