Um caso chocante de negligência e desrespeito aos direitos do idoso veio à tona em Goiânia (GO), onde um advogado de 58 anos foi preso em flagrante pela segunda vez, acusado de maus-tratos contra sua mãe, uma senhora de 85 anos. A prisão, realizada pela Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (Deai) durante a Operação Indignus, revelou uma cena de abandono: a vítima foi encontrada em condições insalubres, coberta de fezes e urina.
A investigação da Deai revelou que o advogado já havia sido preso anteriormente pelo mesmo crime. A situação da idosa, pensionista de um magistrado, era ainda mais grave, com grande parte de sua renda comprometida por empréstimos contraídos pelo filho sem sua permissão. “A idosa estava em estado catatônico, imersa em urina e fezes, abandonada à própria sorte”, declarou o delegado Alexandre Bruno.
O alerta para as autoridades partiu de uma assistente social do Cais do Jardim América, que acionou a Polícia Civil após receber a idosa em estado crítico: desnutrida, com lesões por todo o corpo, dificuldades respiratórias e sem condições de se comunicar.
A identificação da vítima foi possível graças ao trabalho de papiloscopistas, que também localizaram o endereço do suspeito e um segundo filho da idosa. Confrontado em seu apartamento no Setor Oeste, o advogado alegou que cuidava da mãe “da melhor forma possível”, mas que a havia deixado no Cais devido ao agravamento de sua saúde, com intenção de visitá-la posteriormente.
A inspeção no apartamento revelou a falta de alimentos básicos, evidenciando a negligência. O advogado foi preso e acompanhado por representantes da OAB-GO.
O outro filho da idosa, residente em São Paulo, se prontificou a viajar para Goiânia, assumir os cuidados e custos do tratamento da mãe e solicitar sua curatela.
O advogado enfrentará acusações de maus-tratos, abandono de incapaz, abandono em hospital e exploração financeira contra a própria mãe, crimes que refletem uma grave violação dos direitos dos idosos e um profundo desrespeito aos laços familiares.
