O recente caos energético que assustou a Europa reacendeu o debate: o Brasil está preparado para enfrentar um ataque cibernético em larga escala? Embora as autoridades europeias tenham descartado a hipótese de um ataque cibernético por trás dos apagões, a sombra da vulnerabilidade digital paira sobre a infraestrutura crítica global.
Em entrevista exclusiva, Renato Cunha, especialista em prevenção de fraudes e defesa cibernética, alerta sobre os riscos reais que o Brasil enfrenta. Um “apagão cibernético”, explica, pode ser desencadeado por diversas formas de ataque, desde ransomware paralisantes até ataques de negação de serviço (DDoS) e, o mais preocupante, investidas diretas contra a infraestrutura.
A porta de entrada para esses ataques reside, muitas vezes, em brechas negligenciadas: configurações de sistema inadequadas, softwares desatualizados ou, até mesmo, a ação de agentes internos mal-intencionados, abrindo caminho para o acesso remoto. As consequências, enfatiza Cunha, seriam devastadoras.
“Um ataque dessa magnitude paralisaria o país”, adverte o especialista. “Imagine hospitais sem energia, pacientes dependendo de equipamentos vitais… seria uma catástrofe completa.” O impacto transcende a simples interrupção de serviços; a confiança pública se esvai ao revelar a fragilidade da segurança cibernética nacional.
Cunha ressalta que o Brasil não está imune a ataques que visam sistemas de monitoramento e distribuição de eletricidade, um cenário similar às suspeitas iniciais levantadas na Europa. Ele relembra um incidente em 2021 que, embora não tenha levado a um apagão, serviu de alerta. O especialista enfatiza que o país participa ativamente de fóruns internacionais e adota as melhores práticas para fortalecer sua defesa cibernética, cobrando a continuidade e o aprimoramento dessas iniciativas.
Além das medidas governamentais, Cunha destaca a importância da conscientização individual. Ele oferece um conselho prático: “É crucial que as pessoas tenham um kit de emergência, com lanternas, baterias extras, alimentos não perecíveis e água potável para pelo menos quatro ou cinco dias.” Em um mundo cada vez mais conectado, a preparação individual pode ser a última linha de defesa contra as sombras de um apagão digital.
