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BH Revela Segredos: Arte Urbana Desvenda Rios Canalizados Sob o Asfalto

Em Belo Horizonte, uma intervenção artística está resgatando a memória hídrica da cidade, revelando os cursos d’água que serpenteiam sob o concreto. O projeto “Entre Rios e Ruas”, idealizado pela artista plástica Isabela Prado, utiliza placas sinalizadoras para demarcar o leito de rios e córregos canalizados, convidando os moradores a redescobrirem a geografia oculta da metrópole.

A iniciativa, impulsionada por uma lei municipal de incentivo à cultura, espalha reflexões visuais por BH, propondo uma reconexão com os rios que moldaram a paisagem urbana e que, mesmo invisíveis, ainda exercem influência, especialmente em tempos de chuva. Afinal, a capital mineira abriga cerca de 165 quilômetros de rios “aprisionados”, como o Córrego do Leitão, cuja canalização se iniciou nos anos 70.

As placas do projeto não apenas indicam o caminho dos rios soterrados, mas também convidam à contemplação do espaço urbano e à reflexão sobre o planejamento da cidade. A escolha do momento para as primeiras instalações, há cinco anos, não foi aleatória: as fortes chuvas e enchentes da época trouxeram à tona o debate sobre o impacto da canalização excessiva no escoamento das águas.

Com repercussão nacional, inclusive destaque na Revista Piauí, “Entre Rios e Ruas” transcende a arte e se torna um catalisador de discussões sobre a relação entre a cidade e seus rios. Recentemente, a obra “Sobre o rio” passou por restauração, reafirmando o compromisso do projeto com a preservação da memória urbana. Para Isabela Prado, o projeto se reinventa a cada nova forma de contar a história dos rios encobertos e das transformações da cidade. As placas, discretamente espalhadas pela capital mineira, são um lembrete constante: mesmo invisíveis, os rios permanecem presentes, moldando o cotidiano e clamando por atenção.

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