A rodada inaugural do Brasileirão Série A de 2024 não só agitou as torcidas, mas também levantou um debate tático: o cruzamento como arma principal. A discussão ganhou força com a declaração de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, defendendo o uso constante da bola alçada à área, mesmo sob críticas. E os números parecem dar razão ao treinador, pelo menos nesta primeira amostra do campeonato.
Impressionantes 70,58% dos gols marcados na rodada vieram de cruzamentos. De um total de 17 bolas na rede, 12 tiveram a trajetória aérea como precursora, evidenciando a efetividade da jogada. Apenas a partida entre Juventude e Cuiabá, além dos empates sem gols entre Palmeiras e Botafogo e São Paulo e Fortaleza, escaparam à estatística.
Nos confrontos de sábado e domingo, a tendência se manteve: 8 de 10 gols no sábado e 4 de 5 no domingo nasceram de cruzamentos, reforçando a ideia de uma possível estratégia dominante ou, ao menos, de um acaso estatístico a ser observado nas próximas rodadas.
O lance de William para Dudu, que abriu o placar para o Cruzeiro contra o Botafogo, e o gol de cabeça de Juan Dinenno, sacramentando a vitória celeste, exemplificam a utilização precisa do cruzamento como ferramenta ofensiva. Outros exemplos como o gol de Arezo pelo Grêmio e o gol de peixinho de Rony pelo Atlético-MG reforçam a tese da bola aérea como um caminho direto para o gol.
As jogadas do Vasco da Gama ilustram bem o cruzamento como ferramenta. Lucas Piton fez um cruzamento para Vegetti, que desviou de cabeça para Nuno Moreira marcar. Depois, Payet fez um cruzamento para Vegetti marcar de cabeça.
No entanto, resta a questão: essa predominância de gols de cruzamento reflete uma escolha tática consciente das equipes, uma deficiência das defesas em lidar com a bola aérea ou uma mera coincidência de início de temporada? As próximas rodadas do Brasileirão certamente trarão a resposta, mas, por enquanto, a bola alçada à área se consagra como protagonista deste início de campeonato.
