O modelo SAF (Sociedade Anônima do Futebol) emerge como um divisor de águas no cenário futebolístico brasileiro, impulsionando debates acalorados sobre o futuro dos clubes. O Fluminense, atento a essa transformação, lança uma pesquisa para mapear o termômetro da sua torcida em relação à possível adoção desse modelo.
A pesquisa não se limita à SAF. Ela busca também um panorama sobre a satisfação com a gestão atual, o desempenho da equipe e os planos de sócio-torcedor, demonstrando um esforço para entender o clube em sua totalidade. Um ponto específico sobre a SAF, no entanto, levanta dúvidas. Para desmistificar a questão, consultamos o advogado Guilherme Bernardes, especialista no tema, do escritório Chalfin, Goldberg e Vainboim.
A questão central reside nas “estratégias de investimento futuro”, onde a pesquisa apresenta opções como a adoção da SAF, a venda de direitos de jogadores, a contração de novas dívidas ou outras alternativas. Segundo Dr. Bernardes, essas opções não são mutuamente exclusivas, mas sim complementares. Ele explica: “Uma SAF, como qualquer empresa, pode necessitar da venda de ativos e da contratação de empréstimos. A conversão em SAF, idealmente, alivia as finanças do clube, permitindo vendas de atletas menos urgentes e, portanto, potencialmente mais lucrativas. No entanto, é irreal imaginar uma SAF sem a alienação de direitos de jogadores”.
A implementação da SAF é uma decisão complexa que exige análise cuidadosa. É crucial ponderar o modelo a ser adotado e o perfil do investidor ideal. Os exemplos de Botafogo e Vasco, com seus acertos e erros, servem de alerta e aprendizado.
Não existe uma fórmula mágica. A melhor opção é aquela que se alinha à realidade do clube. A SAF não garante, por si só, uma gestão profissional, assim como o modelo associativo não implica necessariamente o oposto. A questão da SAF divide opiniões na torcida: há quem a veja como a salvação financeira e um passaporte para a competitividade, enquanto outros resistem à ideia de um “dono” para o clube.
“No Brasil, a SAF é uma estrutura jurídica específica, desenhada para incentivar a transformação dos clubes de futebol em empresas, promovendo a profissionalização, a transparência e facilitando a captação de investimentos”, esclarece Bernardes.
O Fluminense conta com a assessoria do BTG Pactual na busca por investidores para a SAF. O presidente Mario Bittencourt já se reuniu com executivos do banco, e o tema está sob a responsabilidade do vice-presidente Mattheus Montenegro. Apesar de demonstrações de interesse, nenhuma proposta formal foi apresentada até o momento. O futuro do Fluminense, e a possível adoção da SAF, ainda estão em aberto.
