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Marco Pigossi Ilumina a Tela e Denuncia: “Brasil? Paraíso LGBTQIA+ na Lei, Inferno na Realidade”

Marco Pigossi, agora radicado em Los Angeles, está de volta ao Brasil para lançar “Maré Alta”, um romance que marca sua estreia como protagonista em um filme americano. A produção, fruto de sua parceria criativa e pessoal com o cineasta italiano Marco Calvani, seu marido, é apenas o começo de uma jornada que Pigossi vislumbrou desde cedo.

“Fernanda Montenegro me aconselhou a produzir minhas próprias histórias,” recorda o ator, referindo-se aos tempos da minissérie “Queridos Amigos”. Esse conselho ressoou, impulsionando Pigossi a buscar projetos que realmente falassem ao seu coração.

“Maré Alta” nasceu de uma conversa entre Pigossi e Calvani, que já explorava a temática da imigração gay. Para Pigossi, a oportunidade de encarnar Lourenço, um brasileiro em busca de liberdade e aceitação nos EUA, era crucial. “Queria falar sobre a experiência de me entender como homem gay através de um personagem. O cinema tem o poder de gerar empatia, e eu queria explorar isso”, explica. A experiência contrasta com seu papel anterior em “Caras & Bocas”, onde a homossexualidade era tratada de forma mais leve.

O filme acompanha Lourenço em sua luta para legalizar sua situação nos EUA, enquanto enfrenta desilusões amorosas e a busca por um lugar no mundo. “Existe uma beleza e uma profundidade em pertencer,” reflete Pigossi. “Maré Alta” aborda temas universais à comunidade LGBTQIA+, como a objetificação, a superficialidade das relações online e a busca pela identidade em um mundo focado na aparência.

Apesar de interpretar um personagem que vivencia assédio, Pigossi afirma nunca ter passado por situações semelhantes em sua carreira. “Talvez eu tenha tido sorte, ou soube me afastar a tempo,” diz. Ele também destaca a importância do apoio que recebeu de figuras como Jorge Fernando, que o incentivou a diversificar seus papéis após “Caras & Bocas”.

Vivendo nos EUA, Pigossi se surpreende com a reação dos americanos ao descobrir a violência contra a comunidade LGBTQIA+ no Brasil. “Eles não imaginam que o Brasil é o país que mais mata LGBT,” lamenta.

Sem planos de voltar às novelas, Pigossi se dedica ao cinema independente. Atualmente, produz um documentário sobre refugiados LGBTQIA+ no Brasil, um projeto que expõe a paradoxal realidade do país: “É chocante que o país que mais odeia nossa comunidade também tenha leis avançadas para acolher imigrantes LGBTQIA+ perseguidos em seus países.” A trajetória de Pigossi, portanto, transcende as telas, transformando-o em uma voz ativa na luta por igualdade e justiça.

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