O respeitado Colégio Pódion, instituição de ensino com décadas de história, encontra-se no centro de uma acirrada disputa familiar após o falecimento de seu fundador, Ismael Xavier, em maio de 2024. De um lado, os herdeiros – Bruna Eiras Xavier, Simone de Oliveira Xavier e Bráulio Eiras Xavier – travam uma batalha judicial com a viúva, Marlise Levorsse, em meio a acusações mútuas e um patrimônio considerável em jogo.
A polêmica ganhou novos contornos recentemente com a breve interdição das unidades escolares pela Secretaria DF Legal, prontamente revertida após a apresentação de uma nova licença. O próprio governador Ibaneis Rocha (MDB) minimizou a questão, classificando-a como um “caso particular” sem necessidade de intervenção governamental.
O cerne da discórdia reside na criação, por Marlise, da empresa Colégio Levorsse, apenas dois meses após a morte de Ismael. Os herdeiros alegam que a viúva teria transferido ilegalmente funcionários, professores e alunos do Pódion para a nova instituição, esvaziando a antiga e prejudicando seus direitos sucessórios. O advogado dos herdeiros, Cristiano Fernandes, acusa Marlise de “fraudar as mantenedoras antigas”, utilizando um “endereço inexistente” para obter a licença, já que o Colégio Levorsse ocupa os mesmos prédios do Pódion original. Fernandes expressa preocupação com a possível falência das mantenedoras antigas, especialmente o Instituto de Tecnologia da Aprovação (ITA), que estaria arcando com custos e tributos não repassados.
As ações judiciais movidas pelos herdeiros buscam o reconhecimento de um grupo econômico entre as empresas, a partilha dos bens (com o consequente bloqueio das quotas das mantenedoras antigas) e a prestação de contas por parte de Marlise sobre os “milhões faturados nos últimos anos”.
Em contrapartida, Marlise Levorsse nega veementemente as acusações, classificando-as como “totalmente infundadas” e como uma tentativa de “deslegitimar” sua gestão. Em nota, a viúva argumenta que a criação do Colégio Levorsse foi uma medida legítima para garantir a continuidade das atividades educacionais de forma sólida e moderna, em total conformidade com a legislação. Ela enfatiza que não há decisões judiciais que comprovem qualquer fraude ou ato doloso de sua parte, e que a obtenção da licença seguiu rigorosamente as normas educacionais.
Sobre a questão do endereço, Marlise rebate a acusação como “caluniosa”, afirmando que todos os registros públicos foram realizados com endereço real e comprovável. Ela também defende a autonomia patrimonial e administrativa do ITA, negando qualquer confusão patrimonial ou desvio de faturamento.
A viúva finaliza sua defesa, alegando ter sempre agido com boa-fé, prestando atenção aos princípios da função social da empresa e da livre iniciativa e denunciando a atitude dos herdeiros como uma tática de litigância de má-fé, que já foi devidamente rebatida nos tribunais.
O futuro do Colégio Pódion, instituição de renome na capital, permanece incerto, dependendo do desfecho desta complexa batalha judicial que expõe as tensões familiares por trás de um valioso legado educacional.
