A defesa do tenente-coronel Hélio Ferreira Lima (foto em destaque) requisitou, com caráter de urgência, que Mauro Cid seja convocado novamente para prestar depoimento à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação que apura uma suposta conspiração golpista destinada a manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após as eleições de 2022.
Os advogados alegam que existem “inconsistências graves” nas declarações do delator, prestadas na última segunda-feira (9/6). Entre os fundamentos para o pedido, estão referências que colocam o tenente em “determinados contextos fáticos” e “ações delituosas”.
Hélio Ferreira Lima foi indiciado por estar na posse de um pen drive contendo um documento que detalhava o plano de golpe para assegurar a permanência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no cargo. Além disso, o militar é mencionado como um dos “kids pretos” supostamente envolvidos em um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As inconsistências no depoimento de Cid foram vistas pela defesa de Bolsonaro como “extremamente positivas”, uma vez que podem ser utilizadas em favor do ex-presidente. Celso Vilardi, membro da equipe de defesa ao lado do advogado Paulo Bueno, afirmou que as declarações de Cid revelaram “memória seletiva” e contradições que serão exploradas ao longo do processo. Ele pretende, inclusive, utilizar essas divergências para contestar a delação.
“Quando confrontado, ele afirma ter esquecido. Assim, fica fácil delatar”, criticou o advogado após a sessão da Primeira Turma do STF na segunda-feira (9/6).
A Primeira Turma do STF deu continuidade, nesta terça-feira (10/6), aos interrogatórios dos réus. Na segunda-feira (9/6), foram ouvidos o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que atualmente é deputado federal.
Os réus foram organizados em grupos conforme suas respectivas atuações. A sessão desta terça teve início às 9h, começando pelo depoimento do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, que negou ao ministro Alexandre de Moraes ter tido acesso à minuta do golpe de Estado.
Após o depoimento de Garnier, os interrogatórios prosseguirão seguindo a ordem alfabética. De acordo com a dinâmica estabelecida, o réu se levanta, dirige-se ao banco central, sentado à frente dos ministros, e, ao concluir sua fala, retorna ao seu assento original.
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