A voz embargada de Eduardo Coka traduz o que a família enfrenta há dez longos dias: “É uma angústia que não passa, uma espera desesperadora”. Seu irmão, Douglas, 37 anos, foi encontrado sem vida na Geórgia, Estados Unidos, com indícios de um disparo que ecoa em suas mentes como um mistério.
Douglas, que havia buscado uma vida nova na América há quase quatro anos, jaz agora em um limbo burocrático, distante do Rio de Janeiro, onde nasceu e sonhou. A impossibilidade de arcar com o translado desencadeou uma onda de solidariedade. Uma “vaquinha” virtual, impulsionada pelo amor de amigos e familiares, alcançou o milagre: R$ 50 mil arrecadados em tempo recorde.
Mas o alívio financeiro é apenas uma gota em um oceano de incertezas. A lentidão dos trâmites legais mantém o corpo de Douglas retido, com a promessa de mais duas semanas de espera, segundo a funerária americana. A ex-esposa de Douglas, uma amiga espanhola, tem sido um porto seguro nesse labirinto burocrático, auxiliando em tudo que é necessário no país.
A dor da perda se agrava pela falta de respostas. Eduardo descreve o irmão como “alto astral, um apaixonado pela vida”. A família se agarra a fragmentos de informações veiculadas pela imprensa de Atlanta: vizinhos que relataram um estrondo na madrugada de domingo, a polícia encontrando o corpo no quintal de uma casa.
“Fomos avisados por um amigo que mora lá. Corremos para o consulado brasileiro, que se limitou a oferecer informações. Não sabemos o que aconteceu, a polícia investiga em segredo”, desabafa Eduardo. A família sequer sabe onde Douglas foi atingido. A angústia se alimenta do silêncio, da escuridão que paira sobre a verdade.
O Consulado-Geral do Brasil em Atlanta, procurado para esclarecimentos, informou que, em virtude da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, não pode comentar o caso. A família Coka permanece à deriva, com a esperança de que, em meio ao luto, a justiça prevaleça e a verdade finalmente venha à tona.
